No Sporting, hoje pode-se usar a célebre expressão “Rei morto, rei posto“, pois Domingos Paciência sai de cena e entra em acção Ricardo Sá Pinto.
O antigo jogador do extinto Sport Comércio e Salgueiros (mais conhecido apenas por Salgueiros) chegou a Alvalade em 1994, juntamente com a jovem promessa Pedrosa, afirmando-se logo como um dos melhores atacantes do futebol português.
Em poucos meses, os sportinguistas puseram-lhe a alcunha de “Ricardo, coração de leão”, pois tal como o ex-rei de Inglaterra, Sá Pinto exalta-se facilmente, e mostra variadíssimas vezes a sua garra, força de vontade e determinação.
Todas estas características levaram o ex-jogador a escrever uma das páginas mais negras do futebol português. Em 1997, depois de ver que o seu nome não constava na lista de convocados para um importante jogo da selecção das “quinas”, Sá Pinto sai de sua casa em Lisboa e dirige-se ao Estádio Nacional, onde agride Artur Jorge, seleccionador português na altura, e Rui Águas, treinador-adjunto da equipa, que veio em socorro do seu colega.
As agressões foram captadas por um repórter fotográfico do antigo jornal “24 Horas” e correram mundo, chegando mesmo à FIFA, que classificou de “vergonhosa” a atitude de Sá Pinto.
O ex-jogador acabou por ser suspenso por 1 ano de toda a actividade desportiva e irradiado da selecção portuguesa, que soube ultrapassar com distinção a ausência do seu mais carismático jogador.
Sá Pinto nunca foi treinador principal de uma formação sénior, mas já foi técnico-adjunto de Pedro Caixinha (actualmente no Nacional) na U. Leiria, embora a experiência não tenha sido das melhores.
Antes de ser convidado por Godinho Lopes para assumir os destinos da equipa de séniores, Sá Pinto orientava os júniores ou, se se preferir, os sub-19, que fizeram um “brilharete” na primeira edição da Next Gen (uma espécie de Liga dos Campeões Sub-19), atingindo os Quartos-de-Final, onde foram derrotados pelos italianos do Inter de Milão, por 1-0, em jogo disputado no Estádio Municipal de Leiria, curiosamente, o estádio onde o ex-jogador se iniciou nestas lides de treinador.
No Campeonato Nacional de Júniores, Sá Pinto deixa a equipa na Fase Final, que se inicia no próximo dia 18 de Fevereiro, juntamente com o Benfica, FC Porto, Nacional, Sp. Braga, U. Leiria, V. Guimarães e V. Setúbal.
As razões que levaram Godinho Lopes a chamar Sá Pinto ainda não são conhecidas, mas todos os sportinguistas já associaram esta escolha a Filipe Soares Franco, que fez exactamente o mesmo quando contratou Paulo Bento, depois das demissões de José Peseiro e do presidente António Dias da Cunha.
O actual seleccionador fez um trajecto notável à frente do Sporting; apesar de nunca ter sido campeão, o técnico conseguiu levar os “leões” a 4 segundos lugares consecutivos, um dos quais a 1 ponto do FC Porto, numa época em que foi claramente prejudicado no encontro em casa com o P. Ferreira (derrota por 1-0 com golo de Ronny, com a mão).
Não sabemos se Sá Pinto terá tanto sucesso quanto Paulo Bento, mas uma coisa é certa: Ricardo “coração de leão” entra de novo pela “porta grande” do clube de Alvalade.
Jornalista: João Miguel Pereira
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